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Diretor da ANEEL alerta para risco de apagão no Brasil: "Estamos chegando nesse momento"

Diretor da ANEEL alerta para risco de apagão no Brasil: "Estamos chegando nesse momento"

Um diretor da ANEEL disse, em público, que o Brasil está chegando perto de um apagão nacional. E o motivo não é falta de energia — é excesso dela.

Fernando Mosna, diretor da agência, afirmou nesta quinta-feira (25/06), no Rio de Janeiro, que o país "está chegando cada vez mais" num cenário em que o ONS pode perder a capacidade de supervisionar o sistema elétrico. Se isso acontecer junto com a falha de outro mecanismo ainda em construção, o resultado é apagão.

O motivo é a geração distribuída. Ela já soma cerca de 49 GW de capacidade instalada e responde por um quinto de toda a geração de energia do Brasil, num parque gerador de 252 GW. O problema é que essa geração está espalhada em milhões de telhados, fora do controle direto do operador nacional.

Mosna deu um exemplo concreto: durante o jogo Brasil x Haiti pela Copa do Mundo, o ONS precisou incorporar 4,3 GW de carga ao sistema em apenas 21 minutos, assim que a partida terminou. Ele já demonstrou preocupação com o próximo jogo da seleção, marcado para segunda-feira à tarde, justamente num horário de geração solar elevada.

O setor enfrenta dois desafios nomeados pelo próprio diretor. Primeiro, o mecanismo que permitiria às distribuidoras reduzir a geração de usinas Tipo 3 em situações críticas ainda não foi validado na prática. Segundo, o curtailment — corte forçado de geração renovável — segue sem solução definitiva desde o apagão de agosto de 2023, apesar de grupos de trabalho, mudanças legislativas e consultas públicas.

A geração distribuída não vai parar de crescer, e não deveria. O problema é que a regulação e a operação do sistema ainda correm atrás dela. Quando uma autoridade reguladora fala abertamente sobre risco de colapso, o recado é claro: segurança do sistema elétrico virou prioridade tão urgente quanto a expansão da capacidade instalada.